Com urbanização recente, o Bairro Tupi, na Região Norte de Belo Horizonte, já teve parte de sua área pertencente ao município de Santa Luzia. Foi a subdivisão de um terreno no chamado Arraial do Onça que decretou o início do local e sua oficialização, em 9 de julho de 1979. Assim como os outros bairros da Região Norte, a população do Tupi enfrentou graves problemas no início de sua constituição, já que o local não tinha a infraestrutura urbana necessária para ocupação. Ou seja, não contava com água encanada, sistema de esgoto, eletricidade e pavimentação.
A ausência quase completa de planejamento decorreu, em grande parte, do ritmo acelerado de crescimento da cidade. Com isso, o poder público nem sempre conseguiu acompanhar a ocupação das áreas disponíveis na capital, muitas delas em locais impróprios para moradia.
Morros, espaços íngremes e até margens de córregos serviram para abrigar os moradores recém-instalados no Tupi e região. O resultado foram problemas decorrentes de enchentes e desabamentos, que acabaram fazendo parte da rotina da população.
Para tentar superar a precariedade das moradias e a deficiência da oferta de serviços básicos na Região Norte, o poder público criou muitos conjuntos habitacionais. Boa parte deles foi construída em terras públicas, adquiridas pelo governo onde antes havia apenas pequenos povoados rurais. A partir daí, o Bairro Tupi teve sua ocupação intensificada.
Com o surgimento de vilas e dos conjuntos habitacionais aprovados pela prefeitura, o objetivo era abrigar, principalmente, a população de baixa renda removida de outras partes da cidade e trabalhadores das novas indústrias da região e de Santa Luzia.
Tendo como divisas os córregos Vilarinho, Bacuraus, Isidoro e Onça, a Região Norte, hoje, é considerada uma das últimas fronteiras de expansão de Belo Horizonte. Com a construção da Cidade Administrativa pelo governo de Minas, o Bairro Tupi, assim como toda a região, já sente a valorização dos imóveis.
Consultor de negócios imobiliários, Paulo Henrique Silva atua no bairro há 20 anos e acompanhou quase toda a história do Tupi, que completa 32 anos de aprovação. “No início, havia pouco comércio e poucas linhas de ônibus. Agora, muita coisa mudou. Já tem asfalto, escolas, ônibus, igreja”, afirma.
O comércio assistiu a uma grande expansão. Com isso, atualmente é possível encontrar quase tudo no Tupi. “Açougue, farmácia, supermercados, padarias, lojas de conveniência, locadoras, posto de saúde, bares, salão de festas, pizzarias e campo de futebol, entre outros”, enumera Paulo Silva.
Esses foram alguns dos fatores que atraíram ainda mais moradores. Apesar de terem surgido muitos imóveis depois que se instalou no Tupi, o consultor observa que hoje há poucas opções para venda ou aluguel. “O bairro tem boa vizinhança, pouca violência em relação aos demais e sua valorização está em alta”, conta.
ACESSO RÁPIDO Com acesso pelas avenidas Cristiano Machado, Saramenha e Risoleta Neves, outra obra que valorizou o Tupi foi a Linha Verde. Sua implantação facilitou o fluxo das diversas linhas de ônibus (tais como 1505, 1509, 711, 70 e 66) que atendem ao bairro. De carro, o trajeto até a entrada do Tupi pode se realizado em, aproximadamente, 20 minutos graças à via.
O bairro é conhecido, ainda, por ter o Hospital e Maternidade Sofia Feldman. A instituição foi premiada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em 2000 pela qualidade de seus serviços e recebeu outros prêmios por campanhas inovadoras de acompanhamento da gestação de pacientes em domicílio.
De acordo com a Pesquisa do Mercado Imobiliário de Belo Horizonte, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead/UFMG), se for avaliada a renda média dos chefes de família – menor que cinco salários mínimos –, o Tupi é classificado como bairro popular.
Segundo o levantamento realizado pelo Ipead em maio deste ano, o valor de aluguel de apartamento de dois quartos no bairro era de R$ 614,55. No mercado de compra e venda, os dados de abril mostram que o valor do mesmo tipo de imóvel na região, considerando a classe do bairro, varia entre R$ 173.566 e R$ 437.911.
*Publicado em 10/07/2011/Estado de Minas/ imóveis