Um estudo da Fundação Getúlio Vargas encomendado pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) mostra que, em seis anos, o Brasil irá precisar da mão de obra de 600 mil trabalhadores da construção civil.
A necessidade de adequação para formar novos profissionais é real. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, explica que, mesmo hoje, já existe a necessidade de capacitação de mão de obra para atuação no setor da construção civil, já que a demanda tende a aumentar devido às obras para a Copa do Mundo, para a Copa das Confederações e para as Olimpíadas.
"Além da demanda da construção civil para moradias, temos a questão dos grandes evento esportivos que serão realizados no Brasil. Isso, certamente, se não for pensado pelas empresas do setor, irá causar um grande problema. É preciso capacitar essa mão de obra".
De acordo com Simão, a CBIC promove, em parceria com entidades e órgãos afins, atividades que visam qualificar esses trabalhadores. "Existe a intenção de capacitar o público beneficiário do Bolsa Família para que sejam formados trabalhadores com habilidades para diversos setores da economia, inclusive dentro da construção civil", afirma.
Aprendizagem. Segundo o diretor de relações institucionais da MRV Engenharia, Sérgio Lavarini, é importante que as empresas se preocupem com isso e passem a oferecer oportunidades de aprendizagem. "A MRV, por exemplo, proporciona dois tipos de qualificação. Uma é para o trabalhador que nem alfabetizado é. Nós formamos cursos que alfabetizam esses profissionais, para que eles possam ser melhor aproveitados".
Lavarini conta que a empresa foca também um outro perfil de funcionário. "Na outra modalidade, ensinamos aos trabalhadores ofícios um pouco mais qualificados para atuação como eletricistas e carpinteiros, por exemplo, oferecendo cursos noturnos nos canteiros de obras com aulas teóricas e práticas", explica.
A analista de desenvolvimento de pessoas da Construtora Lider, Carla Cristina Costa Chaves, explica que a empresa faz parceria com instituições que qualificam a mão de obra, mas não ficam presos aos programas.
"Nós temos um apadrinhamento onde um profissional experiente assume o treinamento de um iniciante. Além das partes técnica e teórica, oferecemos um conteúdo comportamental também, muito importante para a formação".
FORMAÇÃO
Escola nos canteiros de obras
Um dos problemas que a construção civil enfrenta é falta de estudo dos profissionais que atuam nos canteiros de obras. Para preencher essa lacuna, a EPO Engenharia oferece aulas do ensino fundamental a seus trabalhadores.
Segundo o diretor-presidente da EPO Engenharia, Gilmar Dias, a empresa atua na educação dos colaboradores desde 2008, quando teve início a primeira turma de 1º a 4º série.
"Percebemos essa demanda a partir de uma pesquisa interna feita juntamente com o Sesi-MG, na qual detectamos que 59,9% de nosso quadro de colaboradores não havia concluído o ensino fundamental", explica.
Segundo Dias, o principal desafio da empresa é evitar a evasão dos alunos. "Dos 34 alunos que iniciaram em 2008, infelizmente, apenas 11 se formaram", lamenta.
O diretor explica que, para evitar o desinteresse, a empresa criou o projeto "Adote um Aluno", que conta com a colaboração dos funcionários da EPO Engenharia que tenham segundo grau para adotar um dos alunos do ensino fundamental.
O pedreiro Heraldo dos Reis é um dos beneficiados pelo programa de ensino da EPO.
"Eu tinha vontade de estudar, mas não tinha oportunidade. Com as aulas logo após o trabalho, fiquei motivado a aprender. Agradeço muito essa oportunidade. Hoje vivo melhor e mais feliz", comemora o pedreiro.
*Publicado em 27 de outubro de 2011/ O Tempo/ Imóveis e Construção