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Preço de imóvel sobe menos em BH

06/09/2011

Metro quadrado na Capital registrou desaceleração pelo terceiro mês consecutivo, aponta pesquisa.
Pelo terceiro mês consecutivo, o preço do metro quadrado em Belo Horizonte apresentou desaceleração. Em agosto, o índice teve aumento de 0,6% em relação a julho, ficando 0,9 ponto percentual abaixo do sétimo mês, quando o metro quadrado na Capital registrou 1,5% de incremento na comparação com o período imediatamente anterior. Os dados são do Índice de Preços de Imóveis Anunciados calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com a ZAP imóveis.

No mês passado, o custo dos imóveis em Belo Horizonte foi o terceiro menor entre as capitais pesquisadas, ficando acima somente do Distrito Federal e de Salvador (BA), que apresentaram taxas de 0,5% e 0,3%, respectivamente. Com resultados superiores ao da capital mineira apareceram São Paulo (1,7%), Fortaleza (2,1%), Rio de Janeiro (2,5%) e Recife (2,9%).

Assim, na média nacional, o índice foi de 1,7% em agosto, valor 0,4 ponto percentual menor que o registrado em julho (2,1%). Neste caso, agosto representou o quarto mês consecutivo de desaceleração.

Na avaliação do professor de finanças e coordenador do curso de administração do Ibmec, Eduardo Coutinho, os resultados apontam para uma acomodação do mercado em todo o país. Segundo ele, apesar de os números ainda estarem positivos, as taxas de crescimento estão em menor ritmo e logo deverão ficar negativas. "O preço dos imóveis subiu menos neste ano porque vinha de uma curva muito forte que agora está entrando em acomodação. Isso é resultado do próprio boom da demanda", explica.

Conforme Coutinho, os números são reflexos do cenário econômico observado ao longo do primeiro semestre, com destaque para o aumento dos juros. "A demanda está sendo suprida e a renda já começa a crescer mais devagar. Agora, começamos a nos deparar com adiamento de decisões e com compradores mais cautelosos", diz.

Quando considerado o acumulado dos primeiros oito meses do ano, o aumento do metro quadrado em Belo Horizonte chega a 18,4%, ficando 0,7 ponto percentual abaixo dos 19,1% da média entre as capitais avaliadas pela Fipe. Apresentaram resultados superiores ao da capital mineira, neste tipo de comparação, Rio de Janeiro (25,6%), Recife (22%) e São Paulo (18,6%).

De acordo com o presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Ariano Cavalcanti de Paula, os números estão dentro do esperado e confirmam a projeção de acomodação da entidade para o setor no Estado. De acordo com Cavalcanti, a estimativa é de que, depois de ter aumentado 22,8% de 2009 para 2010 e 19,86% entre 2010 e 2011, neste ano a valorização dos imóveis na Capital não passe dos 19%.

Em Belo Horizonte, de 2004 a 2011, de acordo com dados do Secovi, a valorização média dos imóveis foi de 1,27% ao mês. Neste ano, segundo Cavalcanti, "o volume de transações imobiliárias está estável em relação a 2010", mesmo com o aumento do valor de apartamentos, casas, salas e outros. O preço médio dos imóveis vendidos na cidade, em 2009, ficou em R$ 193.420,00. Em 2010 a média pulou para R$ 237.268,99 e, em 2011, chegou a R$ 284.907,82. Esta valorização não é uniforme e afeta mais imóveis para média ou baixa renda, que tem maior liquidez.

Para ele, essa desaceleração é considerada saudável, já que dará forças e renovará o setor. "A acomodação é positiva, porque tira o mercado de uma curva constante de crescimento, que mais tarde poderia se tornar prejudicial. Com a desaceleração gradativa dos preços o mercado ganha consistência e volta a crescer, fortemente, mais tarde", diz.

*Publicado em 06 de setembro de 2011/ Diário do Comércio/ Economia

 
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