Caparaó e Patrimar planejam construir complexo residencial e comercial de 1 milhão de metros quadrados.
As construtoras belo-horizontinas Caparaó e Patrimar devem submeter à aprovação da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), já neste mês, o projeto de um megaempreendimento na área conhecida como Mineração Lagoa Seca, na região Sul da Capital. O plano dos investidores é construir um complexo que mescla espaços residenciais e comerciais. Inicialmente, está prevista a construção de mil unidades e, destas, 70% serão residenciais e o restante, reservado para estabelecimentos que devem dar suporte comercial ao espaço. O alvo são consumidores da classe A.
A área, que está localizada ao lado da Serra do Curral, tem cerca de 1 milhão de metros quadrados. O complexo prevê uma área construída de 300 mil metros quadrados. O espaço restante deverá abrigar um parque ecológico de preservação ambiental, aberto ao público, projetado pelo escritório Burle Marx. Conforme o diretor da Patrimar Marcelo Martins, serão erguidos aproximadamente 30 edifícios, com quatro a 12 pavimentos. Esta definição, segundo ele, visa não comprometer a vista da Serra do Curral. O Valor Geral de Vendas (VGV) é estimado em R$ 2,7 bilhões. Os apartamentos chegarão a custar, em média, R$ 2 milhões.
Martins diz que ainda não há definição sobre o aporte necessário. Segundo ele, por se tratar de uma ampla operação urbana, com possíveis intervenções da administração municipal, é cedo para definir de forma precisa o montante do investimento. "Esta questão, naturalmente, está sendo levantada. Tudo dependerá da negociação com o poder público", ressalta.
O projeto vai tramitar na Secretaria Municipal de Regulação Urbana, na Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) e no Conselho do Patrimônio Cultural do município. A expectativa é de que a definição saia em seis meses. "Estamos voltados para a apresentação de um projeto inédito, capaz de oferecer um novo patamar urbanístico para a capital mineira. Trata-se de uma área planejada para atender aos interesses de diversos públicos", afirma.
De acordo com Martins, o projeto deverá ser implantado ao longo de 10 anos e a primeira parte concluída nos primeiros cinco anos. Segundo ele, o empreendimento poderá gerar cerca de R$ 21 milhões em arrecadação do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para o município e R$ 83 milhões em Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).
Empregos - A expectativa é de que o negócio gere 5 mil empregos na fase de construção, ao longo de 15 anos, com prioridade para a mão de obra local. "Estamos fazendo uma releitura ambiental contemporânea que prevê a diminuição significativa do movimento de caminhões e a implantação inteligente de edifícios baixos", afirma.
Ele diz que o empreendimento será construído em áreas degradadas pela atividade mineradora desenvolvida no local. "Hoje, aquela região é conhecida por ser uma área de pouca ou nenhuma relevância ambiental, caracterizada pelo acúmulo de resíduos minerários. O resultado é um solo degradado, de difícil recuperação da massa vegetal, uma vez que não há presença de fauna e flora significativas", avalia.
Martins diz ainda que o projeto prevê a abertura de uma via de interligação entre os bairros Sion e Belvedere (região Centro-Sul). As ruas Patagônia e Haiti, que fazem hoje a ligação entre os bairros, funcionam muito acima da capacidade para a qual foram projetadas. "Esta ligação já está prevista", afirmou. No entanto, esta intervenção dependerá da participação e do aval do poder público.
*Publicado em 10 de agosto de 2011/ Diário do Comércio/ Negócios